Entrevista Motivacional1

Um método de engajamento para aumentar a motivação dos pacientes

A entrevista motivacional é uma estrategia de envolvimento que visa melhorar as motivações e o compromisso de mudar os hábitos de uma pessoa. Como um método de comunicação, a entrevista motivacional e inerentemente colaborativa, procurando ajudar os pacientes ao longo do processo de mudança. Pelas estratégias de entrevistas motivacionais, os profissionais de saúde podem explorar de modo colaborativo as motivações dos pacientes para mudar e formular um plano de ação.

As estratégias da entrevista motivacional incluem1:

  • Perguntas abertas
  • Afirmações
  • Reflexões
  • Declarações resumidas

 

Definindo entrevista motivacional1

O que é a entrevista motivacional?

Definindo entrevista motivacional1
 

De acordo com os desenvolvedores de entrevistas motivacionais, Steven Rollnick e William Miller, entrevista motivacional é “um estilo colaborativo, orientado para o objetivo de comunicação com atenção particular a linguagem da mudança. Ela é criada para fortalecer a motivação pessoal e o compromisso com uma meta específica ao obter e explorar os motivos próprios da pessoa para mudança, em uma atmosfera de aceitação e compaixão”.

Princípios da entrevista motivacional1
Principle to lead a dialogue with obese patients who are desperate to lose weight and need professional motivation to lose weight.

Princípios de entrevista motivacional1

  • Expressando empatia
  • Apoiando a autoeficácia
  • Evocando motivações para a mudança
  • Trabalhando controversias

Princípios da entrevista motivacional1
 

Existem 4 princípios fundamentais que norteiam a prática da entrevista motivacional no controle de peso com os pacientes.
 

Expressando empatia

Isto assegura aos seus pacientes que você está escutando-os e vendo seu ponto de vista sobre o problema. Expressar empatia pode mostrar um interesse mais profundo na perspectiva do paciente.

Evocando motivações para mudança

Evocar significa fazer com que o paciente exponha seus motivos para mudança em vez de seguir ordens. Portanto, pacientes convencem a si mesmos a mudar ao explorar suas próprias ideias e sentimentos.



 

Apoiando autoeficácia

A entrevista motivacional se baseia na capacidade existente dos pacientes para mudança. Ao focar nos sucessos anteriores, eles se sentirão capazes de conseguir e manter sua mudança desejada.  

Trabalhando controversias

Por meio de conversas sobre controle de peso, você e seus pacientes começarão a ver as diferenças entre onde eles estão (hábitos atuais) e onde eles querem chegar (metas). Ajude os pacientes a perceber essa discrepância ao mesmo tempo em que enfatiza sua autonomia ao longo de todo o processo.

A estratégia PARD de entrevista motivacional1
OARS Motivational Interviewing Strategy.

A estratégia PARD de entrevista motivacional1

  • Perguntas abertas
  • Afirmações
  • Reflexões
  • Declarações resumidas

A estratégia PARD de entrevista motivacional1
 

A prática da entrevista motivacional envolve algumas habilidades e estratégias específicas para ajudar os pacientes a reduzir a ambivalência e promover a sua disponibilidade para fazer alterações. Um modelo para a entrevista motivacional é a estratégia PARD, que é uma maneira simples de gerar os benefícios pretendidos da entrevista motivacional.
 


Faça perguntas abertas que encorajam respostas pensadas e permitam um amplo escopo de respostas. Essas perguntas dão aos pacientes uma escolha em como responder.
 


Como você se sente quanto à sua saúde no momento?








 


Reconheça e dê apoio aos pontos fortes, sucessos e comportamentos positivos do seu paciente. Isto ajudará a promover uma relação colaborativa.

 


Dá mesmo para perceber a sua dedicação para melhorar a sua saúde e perder peso. Você melhorou em muitas coisas.





 


Escute de modo reflexivo e responda cuidadosamente parafraseando o ponto de vista do paciente para encorajar mais conversas e exploração.

 


Tenho a sensação de que há muita pressão sobre você para perder peso, mas você não tem certeza de que pode conseguir por causa das dificuldades que teve anteriormente para perder peso.   



   


Os resumos ajudam a recontar e a esclarecer o ponto de vista do paciente. Ao contrário das reflexões, os resumos também ajudam a reunir vários pontos de sua conversa.
 


Então o que estou ouvindo é que você tem lutado com o peso na maior parte da sua vida adulta, e agora está começando a reconhecer como isso está afetando sua saúde e qualidade de vida. Vamos discutir algumas estratégias para ajudá-lo a abordar suas preocupações.  

Perguntas para consideração

Perguntas para consideração

Autorreflexão sobre a entrevista motivacional

Perguntas para consideração


Pergunte a si mesmo antes de começar:

  • Em uma escala de 1 a 5, meu atual nivel de habilidade em entrevista motivacional é _____ (1 significando “nivel muito baixo de habilidade na entrevista motivacional” e 5 significando “bastante proficiente em entrevista motivacional).
  • Com que frequencia eu atualmente uso entrevista motivacional com meus pacientes?
  • Como posso usar entrevistas motivacionais com maior frequencia com meus pacientes ao conversar sobre peso?
  • Minha equipe sabe o que e entrevista motivacional e sabe como usa-la em interacoes com pacientes?
     
Chaves para o sucesso em conversas


Referências:

1. World Health Organization. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO consultation. World Health Organ Tech Rep Ser. 2000;894:1-253. 2. American Medical Association. AMA adopts new policies on second day of voting at annual meeting. http://www.ama-assn.org/ama/pub/news/news/2013/2013-06-18-new-ama-policies-annual-meeting.page. Accessed March 11, 2015. 3. Mechanick JI, Garber AJ, Handelsman Y, Garvey WT. American Association of Clinical Endocrinologists' position statement on obesity and obesity medicine. Endocr Pract. 2012;18(5):642-648. 4. Allison DB, Downey M, Atkinson RL, et al. Obesity as a disease: a white paper on evidence and arguments commissioned by the Council of the Obesity Society. Obesity. 2008;16(6):1161-1177. 5. Jensen MD, Ryan DH, Apovian CM, et al; American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines; Obesity Society. 2013 AHA/ACC/TOS guideline for the management of overweight and obesity in adults: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Practice Guidelines and The Obesity Society. J Am Coll Cardiol. 2014;63(25 pt B):2985-3023. 6. Ng M, Fleming T, Robinson M, et al. Global, regional, and national prevalence of overweight and obesity in children and adults during 1980-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet. 2014;384(9945):766-781. 7. Guh DP, Zhang W, Bansback N, Amarsi Z, Birmingham CL, Anis AH. The incidence of co-morbidities related to obesity and overweight: a systematic review and meta-analysis. BMC Public Health. 2009;9:88. 8. Must A, Spadano J, Coakley EH, Field AE, Colditz G, Dietz WH. The disease burden associated with overweight and obesity. JAMA. 1999;282(16):1523-1529. 9. Li C, Ford ES, Zhao G, Croft JB, Balluz LS, Mokdad AH. Prevalence of self-reported clinically diagnosed sleep apnea according to obesity status in men and women: National Health and Nutrition Examination Survey, 2005-2006. Prev Med. 2010;51(1):18-23. 10. Bhaskaran K, Douglas I, Forbes H, dos-Santos-Silva I, Leon DA, Smeeth L. Body-mass index and risk of 22 specific cancers: a population-based cohort study of 5.24 million UK adults. Lancet. 2014;384(9945):755-765. 11. Prospective Studies Collaboration, Whitlock G, Lewington S, et al. Body-mass index and cause-specific mortality in 900 000 adults: collaborative analyses of 57 prospective studies. Lancet. 2009;373(9669):1083-1096. 12. Hopman WM, Berger C, Joseph L, et al. The association between body mass index and health-related quality of life: data from CaMos, a stratified population study. Quad Life Res. 2007;16(10):1595-1603. 13. Finkelstein EA, Trogdon JG, Cohen JW, Dietz W. Annual medical spending attributable to obesity: payer- and service-specific estimates. Health Aff (Millwood). 2009;28(5):w822-w831. 14. Obesity Education Initiative; National Heart, Lung, and Blood Institute; National Institutes of Health; US Department of Health and Human Services. Clinical Guidelines on the Identification, Evaluation and Treatment of Overweight and Obesity in Adults: The Evidence Report. Bethesda, MD: National Institutes of Health; 1998. NIH publication 98-4083. 15. IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2013. http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv94074.pdf. Acessado em Fevereiro/2016. 16. Sydall HE, Martin HJ, Harwood RH, Cooper C, Sayer AA. The SF-36: a simple, effective measure of mobility-disability for epidemiological studies. J Nutr Health Aging. 2009;13(1):57-62. 17. Mann T, Tomiyama AJ, Westling E, Lew AM, Samuels B, Chatman J. Medicare's search for effective obesity treatments: diets are not the answer. Am Psychol. 2007;622(3):220-233. 18. MacLean PS, Wing RR, Davidson T, et al. NIH working group report: innovative research to improve maintenance of weight loss. Obesity (Silver Spring). 2015;23(1):7-15. 19. ABESO. Atualização das Diretrizes para o Tratamento Farmacológico da Obesidade e do Sobrepeso. http://www.abeso.org.br/uploads/ downloads/2/5521af637d07c.pdf Acessado em Fevereiro/2016.  20. Departamento de Obesidade da SBEM, ABESO - Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica. Informações científicas. http://www.endocrino.org.br/ posicionamento-oficial-sibutramina-obesidade/ Acessado em 10/3/2016.